PANCREATITE CRONICA – AGUDADr. Pedro Pinheiro - BRASIL
Pancreatite é o termo usado para descrever a inflamação dopâncreas. Quando a inflamação do Pâncreas é súbita, ou seja, aguda, estamos diante de uma pancreatite aguda. Quando a inflamação é recorrente e há sinais de lesão persistente, chamamos de pancreatite crônica.
Para se entender os sintomas da
pancreatite
, é importante conhecer as funções básicas do pâncreas.
Quais são as funções do pâncreas?
O pâncreas é uma grande glândula de formato achatado, com mais ou menos 20cm de comprimento, localizado logo atrás do estômago. Apresenta íntima ligação com as vias biliares e o com duodeno. O Pâncreas possui 2 funções básicas: participa do processo de digestãode alimentos e produz hormônios importantes no controle da glicemia (taxa de glicose do sangue) como a insulina e o glucagon.
O pâncreas produz enzimas que auxiliam no processo da digestão de proteínas, gorduras e carboidratos. Essas enzimas são lançadas diretamente no duodeno (primeira parte do intestino delgado), onde encontrarão os alimentos recém saídos do estômago. O pâncreas também produz bicarbonato que serve para neutralizar a acidez dos alimentos vindo do estômago, que possuem um pH muito baixo.
Enquanto as enzimas digestivas são lançadas diretamente no trato intestinal, o Pâncreas também produz hormônios que são lançados na corrente sanguínea. Os dois principais são a insulina e glucagon, produzidos por um grupo de células chamado de ilhotas de Langerhans. A insulina é o hormônio que permite que as células captem a glicose do sangue e a use como fonte de energia. O principal estímulo para a produção de insulina é o aumento dos níveis sanguíneos de glicose que ocorrem geralmente após as refeições. Quando a glicose do sangue se eleva, a insulina produzida no pâncreas é liberada para a corrente sanguínea. Com insulina circulante há consumo da glicose pelas células, e, consequentemente, a taxa de glicose no sangue volta a normalizar. Se por algum motivo não houver insulina, não há como as células consumirem glicose e a sua taxa sanguínea permanecerá constantemente elevada. Isso nada mais é que o famoso diabetes mellitus
O glucagon é um hormônio antagonista da insulina, ou seja, faz a função inversa. Quando os níveis de glicose estão muitos baixos, o pâncreas impede a liberação de insulina e estimula a produção de glucagon, que além de impedir a captação da glicose pelas células, age no fígado, estimulando a produção de glicose pelo mesmo. Quando os níveis de glicose voltam a subir, os níveis de glucagon começam a cair e os de insulina a subir novamente. Deste modo, o pâncreas consegue manter nossa taxa glicemia sempre na faixa entre 60mg/dl a 140 mg/dl. Isso mesmo após refeições ou períodos longos de jejum.
PANCREATITE AGUDA
As enzimas digestivas produzidas no pâncreas só se tornam ativas após chegarem ao duodeno. A pancreatite ocorre quando por algum motivo, essas enzimas se ativam quando ainda estão dentro do pâncreas, fazendo com que o mesmo comece a ser digerido.
Causas de pancreatite aguda
Em mais de 75% dos casos, a pancreatite aguda ocorre por abuso de bebidas alcoólicas (EFEITOS DO ÁLCOOL E ALCOOLISMO) ou por uma pedra da vesícula que fica presa na saída do ducto pancreático, impedindo a drenagem das enzimas para o duodeno ( PEDRA NA VESÍCULA E COLECISTITE).
Reparem na ilustração acima como o ducto biliar e pancreático se unem e desembocam como um só no duodeno, justificando o porquê das pedras na vesícula poderem levar a pancreatite. Outras causas menos comuns de pancreatite aguda incluem:
Hipertrigliceridemia – Pancreatite pode ocorrer quando os níveis de triglicerídeos ultrapassam 1000mg/dl
- Hipercalcemia – Níveis elevados de cálcio sanguíneo .
- Drogas -Alguns medicamentos como azatioprina, corticóides, pentamidina, metronidazol, tamoxifeno, furosemida, enalapril
e vários outros, já foram descritos como causas de pancreatite. É bem conhecida a relação entre consumo de cocaína e pancreatite aguda.
Traumas abdominais. Malformações do pâncreas. Fibrose cística Lúpus eritematoso sistêmico
Idiopático – Em alguns casos não se consegue identificar nenhum fator para a pancreatite.
SINTOMAS DA PANCREATITE AGUDA
O sintoma universal da pancreatite aguda é a dor abdominal. A dor costuma se localizar difusamente na parte superior do abdômen podendo irradiar para as costas. Normalmente é desencadeada pela alimentação. Ao contrário da cólica biliar que também costuma surgir após alimentação e dura de 6 a 8 horas, a dor da pancreatite aguda pode durar vários dias. A dor costuma vir acompanhada de náuseas e vômitos em 90% dos casos e pode ser tão intensa que o paciente rapidamente procura atendimento médico. Porém, em casos mais leves, a dor pode ser mais branda, postergando a ida do paciente ao hospital.
A pancreatite aguda de origem alcoólica costuma surgir de 1 a 3 dias depois de um consumo excessivo de bebidas.
A pancreatite pode se transformar em uma emergência médica. Em alguns casos mais graves a inflamação pode ser tão intensa que leva o paciente a um quadro de choque circulatório ( SAIBA O QUE É CHOQUE CIRCULATÓRIO) e falência de múltiplos órgãos. Diagnóstico da pancreatite aguda
O diagnóstico da pancreatite costuma ser feito com a dosagem sanguínea de 2 enzimas pancreáticas que se encontram muito elevadas nos casos de inflamação do pâncreas: amilase e lipase.
A tomografia computadorizada (TC) é um exame complementar importante, não só para ajudar no diagnóstico dos casos duvidosos, mas também para avaliar a presença de complicações como necrose e abscessos. Através dos achados na TC gradua-se alfabeticamente a gravidade da pancreatite de A a E, sendo A o quadro mais leve e E um quadro grave com sinais de complicações.
A ressonância magnética nuclear (RMN) pode ser usada no lugar da TC. A ultrassonografia é muito inferior a TC e a RNM para avaliar o pâncreas.
Tratamento da pancreatite aguda
Em geral, todo paciente com pancreatite aguda deve permanecer internado. Se o caso for leve a moderado, a resolução é espontânea. Administra-se soros e controla-se a dor. Neste período inicial, o paciente deve se manter em jejum total por no mínimo 3 a 7 dias, uma vez que a alimentação estimula a produção das enzimas pancreáticas que acabam por lesar ainda mais o pâncreas. Para o paciente não desnutrir, é necessária alimentação enteral, onde introduz-se um tubo até o intestino delgado fazendo com que a comida chegue a um ponto após o duodeno, não havendo assim estímulo a produção de enzimas pancreáticas.
Se mesmo com a nutrição enteral o paciente apresentar sinais de atividade da pancreatite, a solução é a alimentação parenteral, administrada pelas veias.
Conforme o pâncreas vai se regenerando, a alimentação por via oral pode ser reintroduzida lentamente. Se a causa for obstrução por cálculos biliares, o mesmos devem ser retirados por via cirúrgica ou endoscópica. Em casos mais graves, com infecção e/ou necrose extensa do pâncreas, antibióticos e cirurgia para retirada do tecido morto podem ser necessários.
Como já citado anteriormente, às vezes o quadro é tão intenso que o doente desenvolve choque circulatório, complicações renais e pulmonares, necessitando ficar internado em uma UTI ( ENTENDA O QUE ACONTECE COM OS PACIENTES NA UTI) PANCREATITE CRÔNICA
Se o quadro de pancreatite aguda for muito extenso ou se o paciente apresenta repetidos episódios de pancreatite, essa inflamação crônica pode levar a lesão irreversível do tecido pancreático, levando ao que chamamos de pancreatite crônica.
A principal causa de pancreatite crônica é o consumo exagerado de álcool.
Porém, qualquer causa que imponha quadros repetidos de pancreatite pode levar a lesão permanente do mesmo.
Sintomas da pancreatite crônica
Assim como na pancreatite aguda, o principal sintoma da pancreatite crônica é a dor abdominal. Porém, na doença crônica, a dor é permanente e não melhora após alguns dias. O paciente costuma estar muito emagrecido pois alimenta-se mal devido a dor que o ato de comer exacerba. Como há lesão permanente do tecido do pâncreas, este começa a diminuir progressivamente a secreção das enzimas responsáveis pela digestão dos alimentos. Com isso, mesmo que a dor não impeça a alimentação, o paciente não consegue digerir o alimento para poder absorvê-lo, acabando por emagrecer do mesmo modo.
Quando mais de 90% do tecido pancreático encontra-se lesionado o paciente perde completamente a capacidade de absorver as gorduras da dieta, surgindo um quadro de diarréia gordurosa chamado de esteatorréia.
Seguindo o mesmo raciocínio, o pâncreas também torna-se incapaz de produzir insulina e glucagon, levando o paciente a um quadro de diabetes mellitus
Outras complicações da pancreatite crônica incluem a formação de cistos ao redor do pâncreas, obstrução das vias biliares e ascite
Na radiografia ao lado, podemos ver um pâncreas todo calcificado, um sinal de cicatrização do tecido por pancreatite crônica
Tratamento da pancreatite crônica
O tratamento da pancreatite crônica visa o controle da dor e dos sintomas da falência pancreática.
É imperativo suspender o consumo de álcool.
Pacientes com síndrome de má-absorção precisam tomar suplementos com enzimas pancreáticas. Doentes com diabetes precisam de insulina. Em casos onde a dor não consegue ser aliviada com drogas, a cirurgia do pâncreas pode ser necessária
Postado por BELINHA